Roque JR

Retornando à aldeia Kaigang Pãnónh Mág (Alto da Serra)

Neste momento acontece o segundo concurso Índia mais bela - Terra indígena Pãnónh Mág. Hoje estivemos, Marta e eu, nas festividades da aldeia, que iniciou as comemorações do Dia do Índio com a presença de outras aldeias. No decorrer do mês haverá confraternizações em outras aldeias da região que abrange os kaigangs de Farroupilha.

Tenho muita saudade da convivência praticamente mensal que tive com indígenas de Farroupilha-RS, iniciada muitos anos antes da mudança para a atual aldeia. Para quem não lembra ou não sabe, os kaigangs possuía sua aldeia muito próximo da atual estação rodoviária de Farroupilha-RS, permanecendo lá por mais de década, e com muitas negociações foram deslocados até o atual local.

Recordo fotos da aldeia em muitas edições de jornais que colaborei que figuraram capa de jornais deste município. Entre eles, resgatei hoje justamente a edição do Domínio da notícia número 69 de 22 de julho de 2006, onde capa figura a manchete “Começa a mudança” e internamente complementa que até o final daquele mês “os cerca de 60 índios que habitavam uma área próxima à rodoviária estarão instalados no terreno de 7.836 metros quadrados”.

Muitas alterações em vista, conversando com a atual cacique Silvana nos repassou informações relevantes, necessitamos conferir com alguns outros dados. A aldeia Pãnónh Mág possui 15 famílias, e o setor, em outra localidade dentro do município, outras sete famílias. Totalizando número superior a 100 indígenas nestas duas localidades.

A Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Nívo os indiozinhos estudam até o quinto ano com professora indígena, após vão para escolas convencionais. Já o cacique Carlos da aldeia de Estrela, afirmou que há 34 famílias e mais de 280 índios lá, o cacique Carlos afirmou ainda que a escola na aldeia de Estrela vai até o terceiro ano do ensino médio. Em Estrela a confraternização será em 22 de abril.

Curiosidade interessante que tanto na Reserva dos pataxós, em Porto Seguro-BA, quanto aqui na aldeia dos kaigangs se o índio se casar com branco é pedido para residir fora da aldeia, a cultura não permite permanecer caso a união não seja com índio.

Existem basicamente dois “sobrenomes”, duas divisões familiares, os Kamé, simbolizado com traços, e os Kairú, simbolizados com círculos. Entre familiares não pode haver casamento, sabendo que não importa a distância que se tenha, sendo da mesma divisão não acontece.

Até “brincaram” que uma das primeiras coisas que se pergunta quando se conhece alguém é sua origem familiar.

Houve o caso recente na vizinha cidade de Caxias do Sul-RS, onde foram aprendidos produtos que os kaigangs comercializavam, que “foi esclarecido”... O que quero deixar outros defensores dos kaigangs um pouco tranquilos, que o motivo de não vê-los vendendo foi a colheita da uva, quando muitos kaigangs foram colher uva.

Não poderia terminar de forma diferente esta crônica, se não ao informar o início para nova obra literária, Kaigangs em Farroupilha-RS, buscando muitas informações coletadas junto aos jornais que possuo o clipagem, e várias outras fontes. Quero também deixar aqui meu registro de muita alegria em saber que vários grupos acadêmicos estão buscando resgatar a cultura indígena daqui, muitíssimas fontes literárias.

Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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