Vários semestres no curso de História da UCS me ajudaram a diferenciar o historiador e o colecionador em muitos aspectos. Bem que noutros há certas semelhanças, ao menos alguns objetivos em comum. Recentemente em conversa com velha conhecida apareceu esta terceira opção, que pode chegar ao nível patológico, que é o acumulador.

Historiador procura os ‘documentos históricos’, as formas que traduzem momentos do cotidiano; colecionador possui critério específicos às áreas que coleciona. Podemos diferenciar os colecionadores de selos postais, onde até os picotes devem estar intactos para ter maiores valores, enquanto coleção. Já para o historiador, um fragmento de selo pode render várias explicações: a época do selo e da postagem, o contexto histórico que se passava, que informações a referida correspondência teve origem, a relação entre o selo e a carta, o motivo que deu origem àquele selo, quem o utilizou, quem o recebeu, como ficou armazenado, entre outros detalhes relevantes a História.

O historiador estuda muitas relíquias, entre tantos objetos pode haver danificados, restaurados, confiscados e até mesmo tombados. Neste aspecto, pode ter como objeto de estudo alguns elementos colecionáveis e mesmo de propriedade de algum colecionador.

O historiador pode utilizar de réplicas e mesmo de imagens para seus trabalhos historiográficos, pode ainda pesquisar e armazenar ‘coisas’ que, aparentemente, pareça apenas objeto de coleção, tendo um valor histórico inestimável.

Certos objetos são apenas para pesquisa, onde o Estado é o proprietário, e seus locais de exposição devem ser de domínio público, ao menos para pesquisadores, mesmo que existam muitos ‘colecionadores de produtos ilegais’, historicamente escrevendo. Objetos estes normalmente encontrados (ou tombados) que deveriam estar em museus.

Na arqueologia muitos achados seriam digna de colecionadores, outros ainda, alguns colecionadores possuem semelhantes, precisamos entender aqui uma grande diferença, pois o mesmo pote de açúcar, ou antiga lata de guardar condimentos, também encontrados com alguns colecionadores, possuem significados diferenciados. Enquanto que nas escavações se entendia mais das famílias que ai residiam, seus hábitos e classe social; para o colecionador seriam peças antigas com certo valor comercial, colecionável. Talvez, aos colecionadores com traços de família, relíquias.

Há muitos fatos que se assemelham entre historiador e colecionar, em certas áreas. Em outras a diferença é gritante, o que não impede de historiadores também serem colecionadores e vice-versa.

Enquanto que o acumulador fica muito vago, seria difícil classifica-lo, defini-lo claramente, o que mais temos que ter é o cuidado para não se tornar algo sem controle e sem sentido, chegando, em alguns casos da necessidade de intervenção médica ou de outra especialidade para um tratamento psicológico. Fica aqui o alerta para maiores cuidados.

Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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